Um levantamento nacional inédito divulgado no início de janeiro mostra quais são os 100 melhores hospitais públicos do Brasil, em um estudo que avaliou critérios como qualidade de atendimento, taxas de ocupação, mortalidade, disponibilidade de leitos de UTI e tempo médio de internação. A pesquisa é a etapa classificatória do Prêmio Melhores Hospitais Públicos do Brasil, promovido por cinco entidades parceiras, com a etapa final — que revelará os 10 melhores — prevista para maio de 2026.
O estudo foi coordenado pelo Instituto Brasileiro das Organizações Sociais de Saúde (Ibross) em parceria com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS), o Instituto Ética Saúde (IES), o Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass) e o Conselho Nacional das Secretarias Municipais de Saúde (Conasems).
Para o médico sanitarista Renilson Rehem, ex-presidente do Ibross e coordenador do levantamento, o objetivo não é apenas ranquear, mas destacar o papel e as conquistas dos hospitais públicos espalhados pelo país, oferecendo uma pauta positiva e incentivando melhorias no Sistema Único de Saúde (SUS), que por vezes sofre com cobertura negativa na imprensa.
Apesar de ser um dos estados mais populosos do Nordeste, o Ceará aparece com apenas duas unidades na lista dos 100 melhores hospitais públicos, ambas localizadas em Fortaleza:
Hospital Universitário Walter Cantídio (HUWC) – vinculado à Universidade Federal do Ceará e referência em diversas especialidades médicas;
Instituto Dr. José Frota (IJF) – um dos principais hospitais de urgência e traumatologia do estado, com atuação consolidada em atendimento de emergência e cirúrgico.
Segundo informações divulgadas pelos gestores do IJF, a inclusão da unidade no ranking reflete avanços em serviços essenciais, como cirurgias, atendimento de trauma e capacidade de UTI, resultantes dos esforços de mais de 4 mil servidores e equipes de saúde ao longo de 2025.
A seleção contempla hospitais públicos dos três níveis de governo — federal, estadual e municipal — que atendem integralmente pelo SUS, sem qualquer vínculo com operadoras de planos de saúde, e que possuem mais de 50 leitos e produção registrada no Sistema de Informações Hospitalares (SIH) do Ministério da Saúde entre agosto de 2024 e julho de 2025. Hospitais psiquiátricos e de longa permanência foram excluídos da avaliação.
O estado de São Paulo lidera com folga, concentrando 30% das unidades listadas, seguido por Goiás com 10%. Outros estados com maior presença são Pará e Santa Catarina (7% cada), Pernambuco e Rio de Janeiro (6% cada), e Paraná (5%). O Ceará, com 2%, figura ao lado de outros estados como Espírito Santo, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul.
Essa distribuição espelha, em grande parte, as diferenças na capacidade de oferta de serviços hospitalares e na implementação de padrões de qualidade dentro do SUS em cada região do país, segundo os realizadores do estudo.