A Polícia Federal trouxe à tona novos detalhes de um esquema de fraudes contra aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A investigação, que integra a Operação Sem Desconto, aponta a existência de descontos indevidos aplicados diretamente nos benefícios, sem autorização dos segurados.
De acordo com as apurações, os valores eram direcionados a entidades e associações ligadas aos investigados, causando prejuízos a milhares de brasileiros. O caso ganhou ainda mais repercussão após a divulgação de mensagens que indicam conflitos internos pela divisão do dinheiro obtido com o suposto esquema.
Entre as provas reunidas, uma mensagem atribuída ao empresário Natjo de Lima Pinheiro chama atenção. No conteúdo, ele demonstra insatisfação com a divisão dos recursos e afirma que estaria ficando sem dinheiro, além de mencionar que a deputada Gorete Pereira ficaria com a maior parte dos valores, chegando a 70% de uma entidade investigada.
Para a Polícia Federal, o teor das conversas reforça a suspeita de que havia uma organização estruturada para arrecadar e dividir os recursos de forma irregular, além de indicar possíveis disputas internas entre os envolvidos.
A deputada Gorete Pereira foi alvo de mandados de busca e apreensão durante a operação. A Polícia Federal chegou a solicitar sua prisão preventiva, mas a Justiça determinou a adoção de medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica.
Além dela, também foram presos o empresário Natjo Pinheiro e a advogada Cecília Rodrigues Mota, apontados como participantes ativos no funcionamento do esquema investigado.
Outro ponto que chamou atenção dos investigadores foi o padrão de vida dos envolvidos. Conversas interceptadas indicam interesse na compra de bens de alto valor, como aeronaves particulares e veículos de luxo, levantando suspeitas de uso de recursos provenientes das fraudes para financiar despesas pessoais.
Segundo a investigação, o esquema funcionava por meio da inserção de cobranças automáticas nos benefícios do INSS, muitas vezes sem o conhecimento das vítimas. Em diversos casos, os descontos só eram percebidos após meses, aumentando os prejuízos.
A operação foi realizada em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU) e cumpriu mandados no Ceará e em outros estados. As investigações seguem em andamento e novas medidas não estão descartadas.