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Uso de canetas emagrecedoras preocupa especialistas
Medicamentos ganham visibilidade, mas exigem prescrição e acompanhamento profissional para evitar riscos graves à saúde
04/05/2026 12h09
Por: Redação Fonte: Agência Dino

Nos últimos anos, os medicamentos conhecidos como "canetas emagrecedoras" ganharam grande visibilidade nas redes sociais e na mídia, impulsionados por relatos de celebridades e influenciadores que destacam resultados rápidos na perda de peso. Embora tenham eficácia comprovada em tratamentos específicos, como obesidade e diabetes tipo 2, especialistas alertam que o uso indiscriminado e sem acompanhamento médico pode trazer sérios riscos à saúde.

Dados recentes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) mostram a dimensão da preocupação. Entre 2018 e 2025, o órgão recebeu 65 notificações de mortes suspeitas associadas ao uso desses medicamentos. Além disso, a Anvisa emitiu um alerta para risco de pancreatite aguda após o registro de 145 notificações de eventos adversos e seis casos com desfecho de óbito, o que reforça a necessidade de prescrição médica e acompanhamento profissional.

Segundo o médico Manoel Quintino, nutrólogo na Clínica Alma, a popularização das canetas emagrecedoras está diretamente ligada à promessa de resultados rápidos. "Vivemos em uma sociedade imediatista, em que a busca pelo corpo perfeito frequentemente se sobrepõe à busca por saúde. A eficácia clínica real desses medicamentos acabou sendo distorcida, transformando um tratamento médico sério em um suposto atalho estético para pessoas que muitas vezes nem possuem indicação clínica para o uso", afirma.

O Dr. Kaio Montanari, também nutrólogo na clínica, complementa que a desinformação é um dos maiores problemas. "O principal mito é a ideia de que a caneta emagrecedora faz milagre e funciona de forma isolada, sem necessidade de mudanças na alimentação ou prática de exercícios. Outro mito perigoso é acreditar que o medicamento é inofensivo e livre de efeitos colaterais, o que leva muitas pessoas a buscarem o uso por conta própria, ignorando que se trata de uma intervenção farmacológica complexa", informa.

Os especialistas reforçam que o uso sem prescrição pode gerar complicações graves. "Sem acompanhamento, o paciente está sujeito a desidratação, perda excessiva de massa muscular, desnutrição e, em casos mais graves, pancreatite aguda e problemas na vesícula biliar. Além dos riscos físicos, há o impacto psicológico, como frustração e efeito rebote", alerta Quintino.

Montanari enfatiza que a automedicação banaliza a obesidade: "Quando o paciente se automedica, ele trata apenas o sintoma, que é o peso na balança, e ignora a causa raiz do problema. Isso gera um ciclo vicioso de perda e reganho de peso, prejudica o metabolismo a longo prazo e aumenta o risco de doenças cardiovasculares".

Um estudo publicado pela revista científica British Medical Journal aponta que a interrupção do uso desses medicamentos pode gerar rápido reganho de peso. Segundo a publicação, os pacientes recuperam, em média, 0,4 kg por mês após o término do tratamento, retornando ao peso inicial em até 1,7 anos.

Os pesquisadores também observaram que os benefícios metabólicos conquistados durante o tratamento, como melhora da glicemia e da pressão arterial, desaparecem em pouco mais de um ano. O reganho de peso ocorre de forma significativamente mais rápida do que em programas comportamentais de dieta e exercício, reforçando que o uso isolado da medicação não garante resultados sustentáveis.

"Se o paciente não aproveita essa janela de oportunidade para reeducar o paladar e construir massa muscular, o metabolismo desacelera e o peso retorna rapidamente", explica Quintino.

Na avaliação dos especialistas, o sucesso de um processo de emagrecimento saudável depende de uma abordagem multidisciplinar. "O emagrecimento sustentável exige cuidado integrado, focado não apenas na prescrição do medicamento, mas na transformação do paciente. Na Clínica Alma, o processo começa com avaliação médica aprofundada e inclui acompanhamento conjunto de nutrólogo, nutricionista e psicólogo", compartilha Montanari.

Quintino ainda acrescenta que a preservação da massa magra e a mudança de estilo de vida são fundamentais. "Futuramente, a nossa nova sede contará com academia focada em exercícios físicos estruturados, consolidando o compromisso com a saúde integral. Para nós, tratar a relação com a comida e a saúde mental é tão importante quanto o déficit calórico", conclui.

Para saber mais, basta acessar: http://www.alma.med.br