Economia Negócios
Startup brasileira é destaque em programa europeu
Startup brasileira participa de programa da Startup Braga, em Portugal, e reforça sua estratégia de internacionalização. A experiência trouxe apren...
06/05/2026 16h52
Por: Redação Fonte: Agência Dino

Nos dias 22 e 23 de abril, a Ecomilhas — startup brasileira da vertical climática — participou do primeiro encontro do Acceleration Program da Startup Braga, em Portugal, iniciativa reconhecida por impulsionar empresas inovadoras com potencial de crescimento internacional. O evento reuniu fundadores, investidores e especialistas do ecossistema europeu, promovendo dois dias de atividades intensivas voltadas ao desenvolvimento estratégico de negócios.

A programação contou com mentorias e workshops conduzidos por profissionais de referência no mercado, como Alexandre Mendes, advisor da Startup Braga; Paulo Moura Castro, partner da BDO Portugal; Bruno Fernandes, CEO e founder da PluggableAI; Inês Marques, founder e CEO da Pointer5; André Santos, co-founder e CEO da Nutrium; e Sara Abalde-Cela, founder e CTO da RUBYnanomed. As discussões abordaram temas como posicionamento de mercado, estruturação de operações, crescimento sustentável e estratégias de escala em ambientes internacionais.

A participação no programa proporcionou acesso a práticas aplicáveis ao contexto real de empresas em expansão, além de oportunidades de conexão com startups e lideranças atuantes em diferentes mercados. O ambiente favoreceu a troca de experiências e a construção de uma visão mais aprofundada sobre os desafios e caminhos para a internacionalização de soluções tecnológicas.

A experiência também contribuiu para o fortalecimento da estratégia de expansão de uma plataforma brasileira voltada à gestão de emissões de carbono no deslocamento corporativo. A atuação da empresa tem como foco apoiar organizações na mensuração e redução de emissões associadas ao deslocamento de colaboradores, um dos principais desafios dentro das agendas de sustentabilidade corporativa.

Com a participação no programa, a startup avança na consolidação de seu posicionamento fora do país, reforçando sua capacidade técnica e estratégica para atuar em novos mercados. A presença em um dos principais hubs de inovação da Europa sinaliza um movimento consistente de internacionalização, alinhado às demandas globais por soluções confiáveis e baseadas em dados para a agenda ESG.

Sobre a Ecomilhas

A Ecomilhas é uma plataforma brasileira de tecnologia climática voltada à gestão das emissões de carbono associadas ao deslocamento de colaboradores, classificadas como Escopo 3.7. A proposta parte de um desafio recorrente nas empresas: transformar um tema difuso, muitas vezes tratado com estimativas, em dados estruturados e utilizáveis no dia a dia da operação.

Por meio da coleta de informações de mobilidade e da aplicação de metodologias alinhadas a padrões internacionais, a plataforma permite organizar esses dados em indicadores que podem ser acompanhados ao longo do tempo. Isso abre espaço para uma leitura mais concreta sobre o impacto das operações e para a incorporação do tema nas rotinas de gestão e reporte.

A solução também dialoga com o engajamento dos colaboradores, conectando a mensuração a práticas que incentivam mudanças de comportamento. Na prática, isso contribui para que o tema deixe de ser apenas um dado de inventário e passe a fazer parte da dinâmica da empresa.

Com atuação no Brasil e em processo de expansão internacional, a Ecomilhas tem participado de iniciativas fora do país para aprofundar esse debate em outros contextos. Para Maria Paula, do time comercial da startup, essa troca tem sido importante para validar o problema em diferentes mercados: "O que chamou atenção é que, mesmo em realidades diferentes, a dificuldade de medir e organizar esses dados se repete. Existe um interesse grande, mas ainda pouca estrutura para lidar com isso".

Nesse cenário, a empresa se insere em um movimento mais amplo de amadurecimento das agendas climáticas, em que a qualidade dos dados passa a ter um papel central na forma como as organizações planejam, acompanham e comunicam suas estratégias.

O problema

O deslocamento diário de colaboradores é uma das principais fontes de emissões indiretas das empresas, mas segue sendo um dos pontos menos estruturados dentro das estratégias de sustentabilidade corporativa. Inserido no Escopo 3 — categoria que, segundo o Greenhouse Gas Protocol (GHG Protocol) pode representar mais de 70% das emissões totais de uma empresa — o commuting corporativo envolve variáveis complexas como comportamento individual, infraestrutura urbana e disponibilidade de transporte, o que dificulta sua mensuração precisa.

Na prática, muitas organizações ainda operam com estimativas genéricas ou proxies de mercado para reportar essas emissões, o que compromete a confiabilidade dos inventários de carbono. Um relatório da Carbon Disclosure Project (CDP) aponta que a falta de dados primários é um dos principais desafios para empresas que buscam reportar emissões de Escopo 3 com precisão, levando a inconsistências relevantes na qualidade das informações divulgadas.

Mesmo quando existe alguma tentativa de mensuração, o dado costuma nascer fragmentado e difícil de transformar em decisão. Isso limita a capacidade das empresas de entender o que de fato está acontecendo, definir metas realistas e acompanhar evolução ao longo do tempo. Sem uma leitura clara, o tema acaba ficando em segundo plano — não por falta de relevância, mas por falta de operacionalização. Ao mesmo tempo, a pressão por consistência nas agendas ambientais, sociais e de governança (Environmental, Social and Governance – ESG). Investidores, parceiros e lideranças internas já não olham apenas para compromissos, mas para a qualidade dos dados que sustentam essas narrativas. Nesse contexto, trabalhar com estimativas frágeis ou incompletas deixa de ser apenas uma limitação técnica e passa a ser um risco estratégico.

O resultado é um cenário em que uma das maiores oportunidades de atuação dentro da agenda climática corporativa continua subaproveitada. O deslocamento de colaboradores segue presente no dia a dia das operações, impactando emissões de forma recorrente, mas ainda sem o nível de visibilidade e gestão necessário para se tornar, de fato, parte ativa das estratégias de descarbonização.