Saúde Ceará
Visita estendida na UTI do HGWA aproxima famílias e fortalece a recuperação dos pacientes
Na UTI do HGWA, a presença da família faz parte do cuidado. A visita estendida é uma das estratégias da unidade para humanizar o ambiente e preveni...
13/05/2026 16h25
Por: Redação Fonte: Secom Ceará

Na UTI do HGWA, a presença da família faz parte do cuidado. A visita estendida é uma das estratégias da unidade para humanizar o ambiente e prevenir complicações

No ambiente da Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), onde monitores piscam e aparelhos emitem sons ininterruptos, um elemento simples tem demonstrado um poder imenso: a presença de quem se ama. No Hospital Geral Waldemar Alcântara (HGWA), unidade da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), a visita estendida na UTI adulto coloca a humanização no centro do tratamento e os resultados já são sentidos por pacientes, famílias e equipe.

Creuza Martins é uma dessas pacientes. Internada na UTI após uma cirurgia de urgência, ela passou pela unidade pós-operatória antes de ser encaminhada ao HGWA. Idosa e consciente, ela foi considerada elegível para o programa e tem recebido a presença das filhas por um período mais longo do que o habitual.

Quem explica o que essa experiência representa é Flávia Martins, fisioterapeuta e filha da paciente: “Aproveitamos a oportunidade de estarmos mais próximos dela. Acho bem importante acompanhá-la de pertinho. Muitas vezes ela relata o sentimento de solidão, sempre pergunta por nós. A partir desse horário mais estendido, achei uma oportunidade muito rica.”

Uma prática fundamentada na ciência e na sensibilidade

A visita estendida tem respaldo científico consolidado. Para Denison Couto, coordenador médico da UTI adulto do HGWA, a prática está diretamente ligada à prevenção do delirium, estado de agitação e confusão que acomete pacientes internados em ambientes intensivos.

“Existe uma vasta literatura relacionada aos benefícios da visita estendida e ao desenvolvimento de delirium para os pacientes. Por isso, lançamos estratégias para esse controle e, entre as ações de prevenção, a participação familiar se encaixa perfeitamente para essa melhoria”, afirma.

Além do aspecto clínico, o coordenador reforça o valor humano da medida: “Esse contato com o familiar traz uma humanização em um ambiente muito tecnológico, de muita monitorização, um ambiente impessoal. Dentro da humanização, vimos a necessidade de ter essa oportunidade para pacientes e familiares.”

Ele diz ainda que cada caso passa por avaliação individualizada. “Os pacientes que são elegíveis são indicados. Mas é importante lembrar que nem todos os acompanhantes têm condições de permanecer. É feita uma avaliação de psicologia e serviço social para entender se existe essa possibilidade”, explica o médico.

O elo que fortalece o tratamento

A psicóloga Lorenna Carvalho, integrante da equipe multidisciplinar da UTI, aponta que o impacto emocional do ambiente intensivo vai muito além do que os olhos conseguem ver.

“A UTI, apesar de ser um ambiente de cuidado e de suporte que o paciente está precisando no momento, é também um ambiente com suas especificidades: muitos aparelhos, pacientes intubados, intercorrências, distanciamento familiar e significado de maior gravidade. Por todos esses fatores, o paciente se sente mais sensibilizado, inseguro, gerando sintomas ansiosos e depressivos.”

Foto: Reprodução/Secom Ceará

O programa de visita estendida permite que familiares permaneçam por mais tempo ao lado de pacientes elegíveis que estão em UTI, trazendo conforto e contribuindo para a recuperação

Os sentimentos mais frequentes entre pacientes e familiares durante uma internação nesse nível são o medo da morte, o temor de ser intubado e de não conseguir se comunicar com a família, além de insegurança, desamparo e alterações de humor. A presença dos entes queridos, nesse contexto, funciona como recurso terapêutico.

“A presença da família pode gerar conforto e confiança, o paciente se sente ouvido e cuidado. Além de prevenir e manejar o delirium, trazendo a família como parte do cuidado, minimizando o sofrimento de ambos e ajudando na adesão ao tratamento”, ressalta Lorenna.

Os resultados acumulados confirmam o impacto positivo da ação: melhora no humor de pacientes e familiares, maior confiança na equipe e melhor engajamento no tratamento. Para a psicóloga, a escuta ativa é o fio condutor de tudo isso. “A escuta ativa é necessária para compreender as necessidades individuais de cada paciente. Eles se sentem ouvidos, reduzindo o sofrimento, humanizando o ambiente e aumentando a qualidade da assistência”, finaliza.