A coleta é feita seguindo rigorosos protocolos de segurança, garantindo a continuidade do cuidado do bebê
Um gesto simples e rápido capaz de mudar histórias: o teste do pezinho. O exame faz parte da rotina de assistência do Hospital Regional do Sertão Central (HRSC), unidade da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), para todos os bebês nascidos no equipamento, em Quixeramobim. A iniciativa reforça o cuidado com os recém-nascidos e o compromisso do Estado em garantir saúde de qualidade desde os primeiros dias de vida.
Realizado gratuitamente como conduta obrigatória em todo o país desde 1992, o teste deve ser feito entre o terceiro e o quinto dia de nascimento do bebê, e se traduz como o principal exame de triagem neonatal. “O teste é essencial para a identificação precoce de doenças que podem comprometer o desenvolvimento e a qualidade de vida da criança, podendo rastrear possíveis complicações e até evitar mortes precoces”, explica a enfermeira coordenadora do serviço de obstetrícia do HRSC, Shérida Braga (foto).
O teste permite identificar doenças genéticas, metabólicas, endócrinas e hematológicas ainda no início da vida, quando é possível intervir precocemente e evitar sequelas graves, especialmente neurológicas. Entre as doenças rastreadas estão a fenilcetonúria, o hipotireoidismo congênito, a fibrose cística, a hiperplasia adrenal congênita, a deficiência de biotinidase e algumas hemoglobinopatias, como a anemia falciforme.
Desde 2020, quando o HRSC deu início ao serviço de Obstetrícia, já foram realizadas mais de 3.400 coletas para os exames de triagem neonatal na unidade, 255 somente entre janeiro e maio deste ano. “Após a coleta, as amostras são encaminhadas ao Laboratório do HRSC, que realiza o processamento e o envio ao Laboratório Central de Saúde Pública do Ceará (Lacen-CE), na capital, responsável pela análise e emissão dos resultados”, explica o gerente do laboratório do HRSC, Júnior Coelho.
O pequeno Heitor nasceu no HRSC no último dia 31 de maio e fez o teste nesta quarta-feira (3). O procedimento é realizado pelas equipes de Enfermagem. Além do direito garantido, no HRSC, para evitar que o bebê seja “furado” mais de uma vez, elas aproveitam a coleta de rotina feita por meio de acesso venoso para também extrair naquela ocasião o sangue a ser usado para o teste, tudo com muita delicadeza, incluindo música relaxante para deixar o recém-nascido mais calmo.
A mãe de Heitor, Francisca Fabiana Pontes da Silva, moradora do município de Itatira, um dos 20 da região referenciados pelos HRSC, fala da tranquilidade em ter o exame em prol da saúde do filho. “Eu achava que só fazia quando eu voltasse para o meu município, mas achei foi bom, porque fazendo logo aqui passa mais segurança, né? Deixa a gente mais tranquila”.
A enfermeira Shérida Braga reforça: “O teste é um direito acessível em qualquer serviço de atenção materno-infantil, e poder garantir esse exame às famílias que vivem no interior é uma estratégia de saúde fundamental para que possíveis doenças sejam identificadas precocemente, permitindo o início oportuno do tratamento”.
Em seis anos, mais de 3 mil testes do pezinho já foram feitos no HRSC e o resultado é entregue sem burocracia
Uma vez enviados ao Lacen, os resultados das coletas ficam prontos, em média, em uma semana. Mas, se nesse tempo mãe e filho receberem alta, eles não vão encontrar nenhum problema para receber o exame. É possível solicitar uma cópia do exame por e-mail, mediante confirmação dos dados do paciente e envio da documentação necessária. “Nós também garantimos o acesso aos resultados, facilitando o acompanhamento pediátrico no município de origem e a continuidade do cuidado”, pontua Júnior Coelho.