"Nataniele Faustino, mãe atípica"
Venho, por meio deste relato, expressar minha profunda indignação e revolta diante da falta de suporte e acolhimento que nós, mães atípicas, estamos enfrentando no município de Canindé. Há cerca de três meses, meu filho recebeu o diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA). Desde então, tenho buscado incansavelmente garantir a ele o acesso às terapias e acompanhamentos necessários para o seu desenvolvimento, mas infelizmente, tenho me deparado com um verdadeiro descaso por parte dos serviços públicos de saúde.
Recentemente, procurei o Casulo — centro de referência para atendimento a pessoas com TEA — acreditando que lá meu filho poderia finalmente ter o suporte especializado de que tanto precisa. No entanto, para minha surpresa e tristeza, fui informada de que ele não poderia ser acolhido, sob a alegação de que não atendem crianças menores de quatro anos de idade.
Diante dessa negativa, fui orientada a procurar o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS). Segui a recomendação e busquei atendimento no CAPS, mas lá fui novamente direcionada de volta ao Casulo. Retornei ao Casulo, na esperança de uma nova orientação ou de alguma flexibilização do atendimento, mas mais uma vez recebi a mesma resposta: a instituição não aceita crianças com menos de quatro anos.
Os profissionais do Casulo me informaram, então, que a única unidade responsável por realizar o acompanhamento terapêutico de crianças na faixa etária do meu filho seria a Policlínica Municipal. Contudo, ao tentar agendar uma consulta, me deparei com mais uma barreira: a informação que recebi é de que, atualmente, a Policlínica está atendendo apenas crianças com menos de dois anos.
Estou absolutamente perplexa e indignada com a falta de critérios claros, com a ausência de fluxos definidos entre os serviços, e principalmente com a total negligência no atendimento às crianças autistas na nossa cidade. Enquanto as instituições públicas se recusam a assumir a responsabilidade, meu filho permanece sem qualquer tipo de assistência especializada, vendo seu quadro evoluir negativamente a cada dia.
Essa situação é, além de angustiante, inadmissível. Nós, mães atípicas, estamos sendo deixadas de lado, sem apoio, sem acolhimento e sem alternativas. Nossas crianças, que já enfrentam tantos desafios, estão sendo privadas do direito fundamental ao atendimento de saúde.
É urgente que as autoridades competentes tomem providências para garantir o acesso pleno e imediato aos serviços especializados para todas as crianças autistas, independentemente da idade. Não podemos mais aceitar tamanha negligência. Nossos filhos merecem respeito, dignidade e tratamento adequado. Não podemos mais ser silenciadas nem invisibilizadas.
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