Considerado o projeto mais importante das Indústrias Nucleares do Brasil (INB), o consórcio em parceria com a empresa Galvani Fertilizantes deve entrar em operação até o ano de 2029 para a exploração da jazida de Itataia, localizada no município de Santa Quitéria, no Ceará.
Após mais de 10 anos de pesquisas, uma rota tecnológica foi desenvolvida para separação de fosfato e urânio no país, o que deve beneficiar o agronegócio no Norte e Nordeste com a comercialização de fertilizante fosfatado, diminuindo a dependência pelo produto importado no Brasil. O urânio extraído ficará sob responsabilidade do governo federal, que detém o monopólio do minério no território nacional, com destinação para energia nuclear nas usinas de Angra 1 e 2.
Depois de uma década, o projeto Santa Quitéria está na fase de licenciamento e inicia nos próximos dias as audiências públicas nos municípios da região do semiárido cearense.
Estudos da INB apontam que a jazida possui 99,8% de fosfato e apenas 0,2% de urânio, com previsão de produção anual de 1 milhão de toneladas de fertilizantes e 220 mil toneladas de fosfato bicálcico para nutrição animal.
A Galvani Fertilizantes pretende atender 25% do mercado de fertilizantes fosfatado para agricultura no Norte e Nordeste e 50% da demanda nas duas regiões por fosfato bicálcico para nutrição animal.
“Esse projeto é extremamente estratégico para reduzir essa relação de dependência. O Brasil é um dos maiores produtores de alimentos do mundo com grãos e carnes. Por outro lado, é um dos países mais dependentes do mundo [pelo fornecimento de fertilizantes]. Então, essa balança não está equilibrada”, ressalta Cristiano Brandão, gerente corporativo de licenciamento, meio ambiente, gestão fundiária e direitos minerários da Galvani.