Saúde Ceará
Embora raro, câncer de mama também afeta homens e diagnóstico precoce faz a diferença, destaca especialista do HRSC
Quando se fala emcâncer de mama, a maioria das pessoas associa a doença ao público feminino. Mas os homens também podem desenvolver o tumor e, just...
30/06/2026 16h02
Por: Redação Fonte: Secom Ceará

Quando se fala emcâncer de mama, a maioria das pessoas associa a doença ao público feminino. Mas os homens também podem desenvolver o tumor e, justamente por ser pouco conhecido entre eles, o diagnóstico costuma acontecer mais tarde. A conscientização sobre os fatores de risco, os sintomas e a importância da procura por atendimento médico é fundamental para ampliar as chances de detecção precoce e tratamento adequado.

No serviço de oncologia doHospital Regional do Sertão Central (HRSC), unidade daSecretaria da Saúde do Ceará (Sesa)em Quixeramobim, atualmente 11 pacientes do sexo masculino fazem o tratamento contra o câncer de mama. Entre eles, está o aposentado Edilson de Andrade Carneiro, 68. Ele nem desconfiava de que uma pancadinha que levou na região da mama fosse terminar no diagnóstico.

“Eu não sentia dor de nada! Foi só um ‘carocim’ que foi crescendo e depois ele encolheu para dentro, sabe?”, conta. Os primeiros atendimentos e exames foram em Fortaleza, mas logo depois que o serviço de oncologia no HRSC foi inaugurado, em julho de 2024, Edilson, que mora em Boa Viagem, foi chamado para fazer o tratamento em Quixeramobim. “Não tem nem comparação, é muito bom porque é bem pertinho de casa!”. 

É raro, mas acontece

Foto: Reprodução/Secom Ceará

Para o tratamento ter êxito, o paciente deve procurar o serviço o quanto antes

O Instituto Nacional do Câncer (Inca) estima que 1% dos casos de tumores na mama é em homens. Entre 2020 e 2025, estudos confirmaram uma média de 230 mortes de homens, por ano, em função da doença. Os números mostram que, embora seja mais comum entre a população feminina, o problema nos homens também exige atenção.

Edilson de Andrade confessa que só foi procurar o médico quase dois anos depois que percebeu que a mama estava apresentando alterações no volume externo. “Eu não imaginava que fosse ter um câncer, justamente na minha mama, porque eu já sabia que era um tipo bem raro”, conta o aposentado. 

Para o médico oncologista do HRSC, Patrick Dhunor Vitorino, quando o assunto é câncer, tempo é fundamental. Ele analisa que muitos homens acabam adiando a procura por atendimento médico. “Frequentemente, eles só buscam ajuda quando o problema já está mais avançado. E no câncer, o tempo faz muita diferença. Quanto mais cedo ocorre o diagnóstico, maiores são as possibilidades de tratamento e melhores resultados”, afirma.

Prevenção no tempo certo

Por ser um tipo raro, não existem programas de rastreamento para o câncer de mama masculino. Por isso, os sinais iniciais exigem atenção. Surgimento de nódulos na região da mama, aumento do volume mamário, alterações no mamilo e saída de secreção ou sangue podem indicar um câncer. “Na menor suspeita, o paciente deve procurar assistência médica. Esperar o problema aumentar pode dificultar o tratamento e comprometer o prognóstico”, reforça Patrick Dhunor Vitorino.

Foto: Reprodução/Secom Ceará

Muitas pessoas pensam que os homens correm mais risco de ter câncer de mama porque possuem menos tecido mamário, o que não condiz com a realidade. “E é justamente por a mama masculina ser menor que qualquer nódulo costuma ser mais fácil de ser identificado”, pontua o médico oncologista do HRSC.

Foi o que aconteceu com Edilson. Quando ele percebeu que havia algo de errado, tentou recuperar o tempo que já havia passado e conseguiu ter um desfecho feliz. No final de dezembro de 2025, o paciente tocou o sino da esperança e concluiu o tratamento antineoplásico. “Hoje estou curado, primeiro graças a Deus, depois à minha família e depois à medicina”, conclui.

Foto: Reprodução/Secom Ceará

Após cinco meses de quimioterapia, Edilson tocou o sino da esperança no HRSC e foi considerado curado