O governador do Ceará, Elmano de Freitas, voltou a defender, nesta semana, a exploração da jazida de Itataia, localizada no município de Santa Quitéria, mas ressaltou que a atividade deve ocorrer com rigorosos critérios de segurança ambiental e proteção às comunidades locais.
Durante coletiva de imprensa, Elmano destacou que a mina representa um dos maiores potenciais do Brasil para a produção de fosfato — insumo essencial para a indústria de fertilizantes e, consequentemente, para a agricultura nacional. O governador lembrou que o Brasil ainda depende fortemente de importações para atender à demanda do setor agrícola, tornando o país vulnerável a oscilações de preços e crises internacionais.
“A exploração da jazida de Itataia é de interesse nacional. Não podemos continuar importando quando temos recursos estratégicos no nosso território. Porém, só avançaremos se houver total segurança para o meio ambiente, para a saúde das pessoas e para o desenvolvimento sustentável da região”, declarou.
Importância estratégica e histórico do projeto
A jazida de Itataia é considerada a maior reserva brasileira de fosfato associada ao urânio. O projeto, que já esteve em debate há mais de quatro décadas, é alvo de discussões entre ambientalistas, comunidade científica, produtores rurais e autoridades, devido ao potencial de impulsionar a economia, mas também por envolver riscos ambientais e radiológicos.
Estudos indicam que a exploração pode gerar centenas de empregos diretos e indiretos, atrair investimentos para a cadeia produtiva e fortalecer a autossuficiência do país no fornecimento de fertilizantes. No entanto, o manejo seguro dos resíduos e a proteção de recursos hídricos da região são pontos críticos que precisam de atenção.
Próximos passos
Elmano informou que o governo estadual pretende abrir rodadas de diálogo com órgãos ambientais, como o Ibama e a Semace, além de representantes da sociedade civil, comunidades locais e especialistas em mineração e radioproteção. A ideia é definir protocolos de fiscalização, controle e mitigação de impactos antes de qualquer início de operação.
“Não se trata apenas de explorar uma riqueza mineral, mas de garantir que o processo traga benefícios duradouros para o Ceará e para o Brasil, sem comprometer o futuro das próximas gerações”, completou o governador.
O tema deve voltar à pauta nos próximos meses, à medida que estudos técnicos e licenciamentos ambientais avancem, reacendendo o debate sobre a conciliação entre desenvolvimento econômico e preservação ambiental no estado.