
Moradores da comunidade de Cachoeira BR, zona rural de Itatira (CE), denunciam cobranças consideradas abusivas nas contas de água emitidas pelo Sistema Integrado de Saneamento Rural (SISAR). Segundo relatos, diversas famílias estão recebendo faturas superiores a R$ 300,00 mensais, valor considerado incompatível com a realidade econômica da população local.
Uma das contas analisadas pela reportagem, em nome de V.R.B., referente ao mês de setembro de 2025, apresenta valor total de R$ 3.944,59. O documento detalha cobranças por consumo de água, energia e taxa administrativa, porém moradores questionam a proporcionalidade dos valores e a clareza na memória de cálculo.
O SISAR é responsável pela gestão de sistemas de abastecimento de água em áreas rurais, atuando em parceria com o poder público. O modelo deveria operar sob princípios de custo operacional e modicidade tarifária. No entanto, os valores cobrados têm gerado indignação e questionamentos jurídicos por parte da população.
A Lei nº 11.445/2007 (Marco Legal do Saneamento Básico) estabelece que os serviços públicos devem respeitar princípios como transparência, eficiência e tarifas módicas. O Código de Defesa do Consumidor também assegura ao usuário o direito à informação clara e adequada sobre os serviços prestados.
Apesar das reclamações, o poder público municipal de Itatira ainda não adotou providências concretas para apurar as denúncias ou intermediar uma solução para os moradores.
O tema ganhou repercussão política após o vereador Francisco Afonso Machado Botelho (Republicanos) levar o caso à tribuna da Câmara Municipal. Durante pronunciamento, o parlamentar afirmou que irá cobrar esclarecimentos formais do SISAR, solicitar informações detalhadas sobre a composição das tarifas e exigir transparência na prestação do serviço à população rural.
Moradores esperam que o debate avance para medidas efetivas, como auditoria nas cobranças, revisão tarifária e maior fiscalização sobre a atuação do sistema na região.
Enquanto isso, famílias de baixa renda seguem preocupadas com o impacto financeiro das contas e com o risco de suspensão do abastecimento, serviço essencial à dignidade humana.
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