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Moradores do interior do Ceará percorrem mais de 200 km para perícia do INSS e enfrentam longa espera

Falta de médicos peritos e estrutura adequada obriga segurados a viajar para outras cidades, aumentando custos e dificuldades no acesso a benefícios

Redação
Por: Redação Fonte: Sertão no FOCO - Diario do Nordeste
31/03/2026 às 09h00
Moradores do interior do Ceará percorrem mais de 200 km para perícia do INSS e enfrentam longa espera
Foto: Reprodução

Moradores de diversos municípios do interior do Ceará estão sendo obrigados a enfrentar viagens superiores a 200 quilômetros para realizar perícias médicas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), etapa essencial para a concessão de benefícios como auxílio-doença e aposentadoria por invalidez.

A situação tem gerado revolta entre os segurados, especialmente aqueles em condição de vulnerabilidade, que além de aguardarem meses pelo agendamento, ainda precisam arcar com despesas de deslocamento, alimentação e, em alguns casos, hospedagem. Em muitas situações, os pacientes estão debilitados, o que torna a viagem ainda mais difícil e desgastante.

De acordo com o levantamento, a ausência ou insuficiência de médicos peritos em várias agências do interior tem provocado o redirecionamento dos atendimentos para cidades mais estruturadas, concentrando a demanda e ampliando a sobrecarga do sistema. Com isso, municípios menores acabam ficando sem o serviço regular de perícia médica.

Especialistas apontam que essa realidade evidencia um problema estrutural no atendimento previdenciário, que já sofre com filas extensas e demora na análise de benefícios. Em alguns casos, o tempo de espera para a realização da perícia pode ultrapassar meses, comprometendo a renda de famílias que dependem exclusivamente do auxílio.

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Além disso, decisões judiciais recentes já têm reconhecido que obrigar o segurado a percorrer longas distâncias para atendimento pode violar princípios básicos de dignidade e acesso a direitos, estabelecendo inclusive limites razoáveis para o deslocamento.

Para tentar reduzir o problema, o INSS tem promovido mutirões e ações emergenciais em algumas regiões, incluindo o Nordeste, com o objetivo de acelerar o atendimento e diminuir as filas. No entanto, as medidas ainda são consideradas insuficientes diante da alta demanda.

Enquanto soluções definitivas não são implementadas, milhares de cearenses continuam enfrentando uma verdadeira maratona em busca de um direito básico, transformando o acesso à perícia médica em um desafio que vai muito além da burocracia.