
O relatório final da CPI do Crime Organizado foi rejeitado pelo Senado Federal nesta terça-feira (14), após uma votação marcada por forte tensão política e divergências entre os parlamentares. O parecer, elaborado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE), recebeu 6 votos contrários e 4 favoráveis, sendo derrotado no último dia de funcionamento da comissão.
A proposta apresentada pelo relator causou grande repercussão ao sugerir o indiciamento de três ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) — Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes — além do procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Segundo o relatório, haveria indícios de crimes de responsabilidade relacionados, principalmente, a investigações envolvendo o sistema financeiro e suspeitas ligadas ao caso do Banco Master. O documento também trazia sugestões legislativas e medidas para reforçar o combate ao crime organizado no país.
A votação expôs um racha dentro da CPI. Senadores contrários ao relatório argumentaram que o texto extrapolou o foco da comissão, que era investigar organizações criminosas, ao direcionar acusações contra integrantes do Judiciário.
Durante o debate, críticas apontaram que o parecer teria caráter político e poderia gerar confronto institucional com o STF. Já aliados do relator defenderam que a CPI cumpriu seu papel ao investigar possíveis irregularidades, independentemente dos envolvidos.
Com a rejeição, a CPI do Crime Organizado encerra seus trabalhos sem a aprovação de um relatório final — situação que enfraquece o impacto prático das investigações conduzidas ao longo de cerca de 120 dias.
Instalada em 2025, a comissão tinha como objetivo apurar a atuação de facções criminosas, milícias e esquemas financeiros ilícitos no Brasil, além de propor medidas para fortalecer o combate a essas organizações.
Apesar do desfecho, o relator Alessandro Vieira afirmou que a CPI “cumpriu sua missão” ao reunir informações, realizar depoimentos e apontar problemas estruturais no enfrentamento ao crime organizado no país.