
Canindé/CE — O cenário em diversas ruas de Canindé tem preocupado moradores: o lixo se acumula sem previsão de coleta e o mau cheiro já faz parte da rotina de muitas comunidades. Segundo relatos da população, o serviço de coleta de resíduos não tem seguido um cronograma fixo, e em algumas regiões o caminhão do lixo sequer tem passado.
Apesar da indignação popular, parte da comunicação ligada à gestão municipal tem adotado um discurso no mínimo controverso. Um influenciador que se autointitula "Central Influence", próximo ao prefeito Jardel, chegou a responsabilizar os próprios moradores pelo acúmulo de lixo nas ruas, afirmando que "a população joga lixo onde não deve", ignorando completamente a falha na prestação do serviço público de coleta regular.
O argumento ganhou ainda mais polêmica quando outro personagem da cena local — um "especialista" que se destaca mais pela fé que pelo conhecimento técnico — afirmou que a população é “desaplaudida”, expressão usada para desqualificar quem reclama da situação.
A crítica popular é clara: como culpar os moradores se o caminhão de coleta não cumpre sua função? Se esses influenciadores estudassem a Lei Orgânica do Município de Canindé, saberiam que a limpeza urbana é obrigação da Prefeitura, que deve organizar, fiscalizar e garantir o serviço — independentemente de comportamento individual.
A postura de parte da base de apoio do prefeito, que prefere culpar os cidadãos em vez de cobrar soluções, levanta questionamentos sobre a relação entre alguns comunicadores e a gestão. É um desrespeito ver pessoas bem remuneradas com dinheiro público sendo blindadas por bajuladores, enquanto a cidade afunda no descaso e na sujeira.
Fugir da responsabilidade e transferir a culpa para o povo não é apenas despreparo, é negligência administrativa. Governar é assumir os problemas e apresentar soluções — e não transformar a crítica legítima em motivo de ataque.
Enquanto isso, o lixo continua nas ruas. E a população, cada vez mais desacreditada, espera por mais do que discursos: quer ação.