
A recorrência de interrupções no fornecimento de energia em grandes centros urbanos tem ampliado a atenção de empresas para estratégias de continuidade operacional. Em São Paulo, um evento climático registrado no fim de 2025 afetou cerca de 4,4 milhões de unidades consumidoras, segundo a concessionária responsável.
Já o apagão provocado por forte temporal no dia 13 de fevereiro, que deixou cinco cidades da Grande São Paulo sem energia elétrica, foi causado por falha em linha de transmissão após ventos intensos e chuvas volumosas, de acordo com a concessionária.
Os casos acima indicam que fatores climáticos estão entre as principais causas de interrupções não programadas no país.
Nos episódios recentes na Grande São Paulo, operações dependentes de sistemas digitais, refrigeração e logística contínua registraram impactos diretos durante as interrupções no fornecimento.
A demanda por soluções de energia temporária aumentou após eventos de maior escala. De acordo com Maysa Calmona, gerente de comunicação e marketing da Tecnogera, a procura por locação de geradores cresceu aproximadamente 300% nas 24 horas seguintes ao desligamento ocorrido em dezembro. "A prevenção energética passou a integrar o planejamento estratégico de organizações que buscam assegurar a continuidade operacional", afirma.
Segundo Maysa, o atendimento a ocorrências desse tipo envolve a identificação de cargas críticas, o dimensionamento técnico dos equipamentos e a mobilização logística em prazos reduzidos, além da instalação e integração segura aos sistemas já existentes, de acordo com a necessidade de cada operação.
Companhias que já mantinham planos estruturados relatam impactos mais controlados. A AutoZone informa que combina planejamento prévio com acionamentos emergenciais baseados no histórico de instabilidade do fornecimento. "Trabalhamos com planejamento antecipado, considerando cenários de interrupção e seus possíveis reflexos sobre as operações. Isso permite respostas mais rápidas e reduz impactos nas unidades", revela Danilo Beraldo, gerente de manutenção.
Já a Petz, cliente há cerca de três anos, realiza contratações pontuais para situações emergenciais. Segundo Henrique Alencar, analista de manutenção, o episódio mais recente resultou em atendimento parcial em algumas unidades devido à alta demanda simultânea. "A experiência reforçou a importância de estruturar alternativas previamente. Ter um plano de contingência contribui para reduzir impactos quando situações adversas ocorrem", declara.
Em meio à ocorrência de eventos climáticos e ao crescimento do consumo de energia, o tema da continuidade operacional segue na agenda de empresas, especialmente em regiões metropolitanas.