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Dia da Enfermagem: profissionais da Rede Sesa constroem trajetória marcada por zelo, conhecimento e humanização

A história da enfermeira Celiane Lopes Muniz, 61 anos, com o Hospital de Messejana Dr. Carlos Alberto Studart Gomes (HM), da rede da Secretaria da ...

Redação
Por: Redação Fonte: Secom Ceará
12/05/2026 às 17h33
Dia da Enfermagem: profissionais da Rede Sesa constroem trajetória marcada por zelo, conhecimento e humanização
Foto: Reprodução/Secom Ceará

A história da enfermeira Celiane Lopes Muniz, 61 anos, com o Hospital de Messejana Dr. Carlos Alberto Studart Gomes (HM), da rede da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), vai além da trajetória profissional. Antes mesmo de nascer, ela já estava ligada à instituição, quando sua mãe foi paciente da unidade. Anos depois, o que começou como um vínculo afetivo se transformou em propósito de vida e em uma carreira construída em um dos principais hospitais de cardiologia e pneumologia do País.

Há 42 anos no Hospital de Messejana, a enfermeira Celiane Lopes transformou o vínculo afetivo em uma trajetória dedicada ao cuidado, à assistência e à humanização da saúde

“Nas minhas veias correm, além de sangue, a seiva dos eucaliptos do bosque do HM. Cresci ouvindo que o hospital salvou a vida da minha mãe. O pneumologista Jorge Alberto Matos foi o responsável pelo cuidado e eu fui apadrinhada por ele quando defini minha lotação como servidora do antigo Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social (Inamps). Escolhi o HM para ser minha casa, a enfermagem como profissão e o cuidado como missão de vida”, destaca.

Há 42 anos na instituição, ela acompanhou transformações importantes no hospital e também evoluiu junto com a enfermagem, assumindo diferentes funções e ampliando sua atuação dentro da unidade.

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“Meu primeiro dia de trabalho no HM foi em 11 de junho de 1984, na Pediatria, em outro cargo. Em dezembro de 1986, eu me formei e dei o primeiro plantão como enfermeira, na UTI pós-operatória. Passa um filme na minha cabeça”, lembra.

Atualmente, além de coordenar a Gerência de Enfermagem pela segunda vez, a profissional atua no centro cirúrgico e integra a equipe de captações de órgãos para transplante — experiências que exigem preparo técnico, agilidade, sensibilidade e tomada de decisão em momentos delicados.

Liderança

A profissional destaca que liderança é uma característica inerente à atuação do enfermeiro. “Todo enfermeiro é líder. Ele lidera seu plantão, as situações e a equipe de técnicos e outros enfermeiros. Um líder precisa ter conhecimento técnico, habilidades para negociar em momentos difíceis com equipes, familiares e pacientes, além de atitude para agir em situações de crise”, afirma.

Foto: Reprodução/Secom Ceará
Foto: Reprodução/Secom Ceará

Na sala da Gerência de Enfermagem, a galeria com ex-gerentes simboliza o legado construído por gerações de profissionais que inspiraram e fortaleceram a trajetória da enfermagem na instituição

Experiências marcantes

Ao longo da carreira, Celiane Lopes acumulou experiências marcantes na gestão de equipes e no fortalecimento da assistência. Um dos episódios mais marcantes da trajetória aconteceu durante uma captação de coração em outro estado. “Existe toda uma logística para que o processo aconteça, é tudo orquestrado e cronometrado. Quando estávamos adentrando o local, a caminho do centro cirúrgico, a família e vários profissionais estavam reunidos no corredor para nos aplaudir. Era um momento de imensa dor para aquela família, mas eles sabiam que nós estávamos carregando esperança para outra pessoa. Foi muito emocionante”, relembra.

A relação construída com os pacientes ao longo da carreira também ocupa um lugar especial em sua memória. Celiane acompanhou histórias de superação e reencontros com a vida, principalmente entre pacientes transplantados.

Foto: Reprodução/Secom Ceará
Foto: Reprodução/Secom Ceará

“Quem trabalha na assistência é sempre atravessado por muitas histórias. Poder acompanhar a trajetória dos pacientes é muito gratificante. Alguns eu vi criança, à espera de um coração. Acompanhei a espera, a cirurgia, vi crescer, constituir família, comemorar aniversários e o nascimento dos filhos. Eles carregam uma nova vida e são muito gratos”, conta.

Rosmilton Dias de Carvalho (foto), paciente do HM, é acompanhado pela profissional desde a infância. Hoje, após 21 anos do transplante de coração, os dois mantêm uma relação de amizade construída ao longo do cuidado e da convivência.

Para Celiane, ser enfermeira é exercer o cuidado de forma integral e humanizada, mesmo diante da complexidade e da pressão presentes na rotina hospitalar. “Não podemos esquecer de humanizar as relações, trazer mais toque, pessoalidade e profissionalismo para o cuidado”, finaliza.

Na linha de frente da vida: a história de uma enfermeira de UTI

Foto: Reprodução/Secom Ceará
Foto: Reprodução/Secom Ceará

Há 30 anos, Cheila escolheu estar onde a vida precisa de apoio: “Cuidar vai além da técnica: é presença, empatia e dedicação”

Há habilidades que se aprendem nos livros. Outras, na prática. Mas existem aquelas atividades que pedem também para serem exercidas com o coração. Há quase 30 anos exercendo o ofício da enfermagem, Cheila Oliveira escolheu viver assim: entre plantões, urgências e vidas que dependem de cuidado. Aos 54 anos, ela carrega no olhar a serenidade de quem aprendeu a transformar a dor do outro em zelo e acolhimento. Há 23 anos no Hospital São José (HSJ), unidade da Sesa, Cheila acompanha a trajetória da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) desde sua implantação.

A decisão pela enfermagem nasceu ainda na juventude, quando sabia apenas que queria trabalhar na área da saúde. A aprovação no vestibular veio na segunda tentativa, mas a conexão com a profissão foi imediata. Depois da formatura, iniciou a carreira no interior do Ceará. Anos depois, já casada, retornou a Fortaleza e encontrou no Hospital São José um novo capítulo da sua história, como servidora do Estado.

Ela lembra com carinho do acolhimento recebido quando chegou ao hospital. A UTI estava nascendo, e junto dela surgia também uma equipe disposta a construir um serviço de excelência. Sem experiência em terapia intensiva, mas com muita vontade de aprender, Cheila encontrou ali um propósito. “Apaixonei-me pela UTI”, recorda. Hoje, define o setor como uma segunda família.

Ao longo de mais de duas décadas, viu a unidade evoluir estruturalmente, ganhar novos equipamentos, protocolos modernos e avanços tecnológicos importantes. Mas, para ela, a maior transformação continua sendo humana. O cuidado multiprofissional, a vigilância constante e a dedicação de quem está ao lado do paciente 24 horas por dia fazem toda a diferença.

Foto: Reprodução/Secom Ceará
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“Na rotina intensa da UTI, o olhar humano faz toda a diferença. O cuidado também mora nos detalhes que quase ninguém vê”, destaca Cheila

Segundo Cheila, o que pouca gente vê na rotina de um enfermeiro de UTI é justamente o invisível. “É o detalhe percebido antes da intercorrência. É a observação silenciosa. É a mão que vira o paciente na madrugada, que limpa, monitora, administra medicações, conforta familiares e antecipa riscos. Não é só fazer. É pensar. É contribuir com conhecimento e prática para evitar o sofrimento”, explica a enfermeira.

Ela relembra como a pandemia da covid-19 marcou profundamente sua trajetória. O medo era constante. O receio de contaminar a família, a exaustão física e emocional, as perdas de pacientes e colegas. Ainda assim, ela permaneceu. “Alguém precisava estar ali”, lembra. Entre incertezas e despedidas, viu surgir uma união entre os profissionais de saúde: gente que, mesmo cansada, seguia firme porque existiam vidas que dependiam de cuidados.

Foto: Reprodução/Secom Ceará
Foto: Reprodução/Secom Ceará

A pandemia revelou a força de profissionais que, mesmo vulneráveis, seguiram cuidando do próximo todos os dias

Depois de quase três décadas de profissão, Cheila acredita que a enfermagem lhe ensinou maturidade, paciência e compaixão. Conviver diariamente com a dor fez nascer nela uma gratidão profunda pela vida. “Aqui, somos lembrados o tempo inteiro do quanto a vida é preciosa”, diz.

Quando olha para trás, ela ainda enxerga a jovem enfermeira “verdinha”, cheia de medo e insegurança, mas também movida por uma vontade imensa de aprender. E é justamente isso que ela tenta transmitir aos novos profissionais: a importância do estudo, da empatia e do propósito. “Não sejam apenas tarefeiros. Perguntem por que estão fazendo aquilo, por quem estão fazendo. O objetivo maior é a recuperação das pessoas”, aconselha.

Conheça a história de crescimento da enfermeira Letycia Lobato, da Casa de Cuidados do Ceará

Dos 58 anos de vida de Letycia de Jesus Lobato, 33 são dedicados à enfermagem. A jornada começou ainda quando era estudante de graduação. “Trabalhei como estagiária em um hospital e fui efetivada faltando pouco tempo para concluir o curso. Logo quando finalizei, tirei meu registro no conselho e fui contratada com carteira assinada em 1991”, relembra. O início de uma trajetória de conquistas.

Acreditando que o enfermeiro precisa estudar, ter olhar apurado e ter coragem, Letycia, então, em 2004, participou de um projeto governamental de saúde na Itália e foi selecionada junto com outros 12 enfermeiros brasileiros.

Foto: Reprodução/Secom Ceará
Foto: Reprodução/Secom Ceará

Letycia trabalha como enfermeira há mais de 30 anos e coleciona experiências e desafios superados na jornada

“Eu falava apenas o básico de italiano, então não foi nada fácil exercer uma profissão tão desafiadora sem dominar o idioma. Mas eu tinha um propósito muito claro, então segui em frente, mesmo com medo”, recorda. Antes da experiência, ela havia trabalhado por seis anos em um hospital no Maranhão. Porém, explica que foi no país europeu que ela mais se desenvolveu profissional e emocionalmente.

Em dez anos, atuou no centro cirúrgico, terapia intensiva e diálise, acumulando grande bagagem profissional. Paralelo a isso, casou e teve um filho. Em 2014, retornou ao Brasil para cuidar do pai que estava doente e voltou às raízes. “Minha família sempre apoiou meus sonhos, então nada mais justo apoiá-los nesse momento”.

Apesar dos desafios, Letycia nunca desistiu da profissão. Ao retornar ao Brasil, trabalhou em Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de Fortaleza e em outras unidades de saúde e, assim, novos desafios foram surgindo. “Na UPA, atendi pacientes adultos, idosos e crianças. Eu tinha receio de trabalhar com crianças por ser um público com outro tipo de abordagem. Mas, na enfermagem, você precisa, acima de tudo, ter discernimento e pensar no bem-estar do seu paciente, independentemente de quem seja”.

Todo o aprendizado dos mais de 30 anos de carreira se reflete hoje em seu trabalho na Casa de Cuidados do Ceará (CCC), unidade de desospitalização da Rede Sesa, onde atua há quatro anos. “O paciente que conseguimos reabilitar, o paciente que consegue se livrar da sonda ou do traqueóstomo, o familiar que aprende a ser cuidador… tudo isso é gratificante, além, é claro, do momento da alta. Foi o projeto que mais me impactou na enfermagem. Sou muito realizada em trabalhar aqui.”

Foto: Reprodução/Secom Ceará
Foto: Reprodução/Secom Ceará

Há quatro anos, a enfermeira integra a equipe da Casa de Cuidados do Ceará

Foi na CCC que Letycia despertou um novo olhar e uma nova vocação ao lidar com pacientes com algum transtorno psiquiátrico. “Eu adorei a experiência e decidi, aos 58 anos, começar uma nova graduação, dessa vez em psicologia. O profissional da saúde precisa estar sempre estudando e se especializando, e é esse conselho que deixo para as próximas gerações de enfermeiros. Estudem bastante, tenham coragem e saibam aproveitar as oportunidades”, finaliza.

Data comemorativa

Dia 12 de maio comemora-se mundialmente o Dia da Enfermagem e o Dia do Enfermeiro, em homenagem a Florence Nightingale. Nascida em 1820, ela é reconhecida como a fundadora da enfermagem moderna.

No Brasil, também se celebra, em 20 de maio, o Dia do Técnico de Enfermagem. A data refere-se ao falecimento de Ana Néri, pioneira da enfermagem bra