
Na noite de ontem segunda-feira, 26 de maio, um episódio lamentável expôs a fragilidade do sistema público de saúde em Canindé, no interior do Ceará. Samia Saraiva, uma mulher diabética em situação de emergência, precisou acionar a Polícia Militar para conseguir atendimento na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do município, após esperar por horas e não receber qualquer assistência médica.
Em meio a uma severa crise de hiperglicemia, Samia registrou em vídeo o momento em que, debilitada, pede socorro e denuncia a ausência de profissionais suficientes para prestar os cuidados necessários. As imagens, que rapidamente circularam pelas redes sociais, mostram não só o seu sofrimento, mas também o de outra paciente, não identificada, que aparece em visível estado de dor, igualmente sem atendimento.
Segundo relatos, o plantão noturno da UPA contava com apenas um médico e uma enfermeira — uma equipe nitidamente insuficiente para a demanda de casos graves que chegavam à unidade. A situação só foi contornada após a intervenção da Polícia Militar, acionada pela própria Samia para garantir seu direito constitucional à saúde.
O episódio gerou forte comoção entre os moradores e reacendeu críticas à gestão municipal. Durante a campanha eleitoral, o prefeito de Canindé, professor Jardel, prometeu ampliar o quadro de profissionais da saúde, garantindo o funcionamento da UPA e das unidades de Saúde da Família (PSF) com, no mínimo, três médicos, em regime de 24 horas. No entanto, passados cinco meses de gestão, a promessa segue não cumprida, e casos como o de Samia revelam um preocupante cenário de descaso e sobrecarga no sistema de saúde local.
A denúncia feita por Samia Saraiva é um alerta contundente sobre a precariedade da assistência médica em Canindé. Moradores questionam: até quando pacientes terão que recorrer à polícia para serem atendidos? Onde estão os profissionais prometidos pela administração municipal?
O episódio reforça a necessidade urgente de medidas concretas para reestruturar o atendimento de saúde no município e garantir que situações de negligência como esta não se repitam.
Ver essa foto no Instagram