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Sou +: série de reportagens evidencia cuidado, dignidade e inclusão LGBTI+ na Rede Sesa

Primeira reportagem destaca Serviço Ambulatorial Transdisciplinar para Pessoas Transgênero (Sertrans)NoMês do OrgulhoLGBTI+, aSecretaria da Saúde d...

Redação
Por: Redação Fonte: Secom Ceará
24/06/2026 às 09h22
Sou +: série de reportagens evidencia cuidado, dignidade e inclusão LGBTI+ na Rede Sesa
Edição: Ariane Cajazeiras - Ascom Sesa

Primeira reportagem destaca Serviço Ambulatorial Transdisciplinar para Pessoas Transgênero (Sertrans)

NoMês do OrgulhoLGBTI+, aSecretaria da Saúde do Ceará (Sesa)lança a série de reportagens“Sou +”para evidenciar pacientes e profissionais da rede estadual, com seus hobbies, talentos e planos, ocupando e transformando os espaços públicos. A iniciativa busca reafirmar a Rede Sesa como um ambiente que busca proporcionar a existência plena de quem passa por ela, em um ambiente que busca garantir o direito fundamental de ser e de existir com dignidade.

Ao mesmo tempo em que as letras e o símbolo que compõem a sigla LGBTI+ organizam a reivindicação de direitos e reforçam a existência de diversas manifestações da complexidade humana, elas podem não ser suficientes para abarcar toda a riqueza das trajetórias de cada um. A ideia é que a série possa ir além disso.

Na primeira reportagem, visitamos oHospital Universitário do Ceará (HUC)para ouvir pessoas que encontram cuidado, dignidade e pertencimento noServiço Ambulatorial Transdisciplinar para Pessoas Transgênero (Sertrans). Em seguida, vamos entender como as cirurgias defeminização da vozrealizadas peloHospital Estadual Leonardo Da Vinci (Helv)têm impactado a vida de mulheres trans. Na terceira matéria, vamos saber mais sobre os projetos educacionais daEscola de Saúde Pública do Ceará (ESP/CE)que promovem a inclusão e valorizam a diversidade no SUS. E, finalizando a série, vamos conhecer as histórias de diversos pacientes e trabalhadores da Rede Sesa, com seus sonhos, talentos e habilidades, que qualificam e ocupam os espaços públicos.

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Foto: Reprodução/Secom Ceará
Foto: Reprodução/Secom Ceará

Com 826 usuários regulares, Sertrans promove equidade e assistência integral à população trans

Quando o acesso à saúde ocorre de forma acolhedora, abre-se espaço para algo que vai além do tratamento clínico: a possibilidade de projetar o futuro e reafirmar a própria existência. É nessa interseção entre cuidado, dignidade e pertencimento que atua oServiço Ambulatorial Transdisciplinar para Pessoas Transgênero (Sertrans).

Instalado noHospital Universitário do Ceará (HUC), unidade daSecretaria Estadual da Saúde (Sesa), o serviço acompanha 826 usuários em seguimento regular e reúne profissionais de diferentes áreas para garantir assistência integral, considerando aspectos físicos, emocionais e sociais da saúde dos usuários.

Identidade e futuro

Foto: Reprodução/Secom Ceará
Foto: Reprodução/Secom Ceará

João explica que chegar ao Sertrans foi como abrir uma porta repleta de oportunidades

Para o paciente João de Agrela Freire, de 31 anos, atendido pelo Sertrans há nove meses, encontrar um espaço especializado significou muito mais do que iniciar um acompanhamento médico. “Me sinto feliz quando chego e vejo pessoas como eu ali”, relata. O sentimento de identificação vivido pelo futuro engenheiro civil se reflete na forma como ele percebe o cuidado recebido: as tardes de consulta representam acerteza de respeito e acolhimento

João explica que chegar ao Sertrans foi comoabrir uma porta repleta de oportunidades. As inseguranças, dúvidas e expectativas iniciais sobre como seria o acompanhamento foram sanadas logo no primeiro encontro com a equipe profissional que, de acordo com o paciente, foi acolhedora desde a recepção inicial até o atendimento.

Foto: Reprodução/Secom Ceará
Foto: Reprodução/Secom Ceará

João é acompanhado no ambulatório do HUC

Entre as lembranças mais marcantes, uma possui significado especial para João. “Foi a minha primeira injeção. Não era só pela testosterona, mas porque aquilo significava uma conquista de espaço, de pertencimento e de um sonho”, relembra. Quando o assunto é futuro, o principal objetivo de João é concluir a graduação em engenharia civil, construir uma carreira sólida e, principalmente, continuar vivendo sua identidade de forma plena e feliz, desejando que sua trajetória contribua para transformar a realidade de outras pessoas trans. “Quero contribuir para que tenham acesso aos mesmos direitos, oportunidades e acolhimento que encontrei ao longo da minha trajetória”, afirma.

Promoção da equidade

O coordenador do Sertrans, Victor Rezende, enfatiza a importância de serviços especializados para atender às necessidades específicas de diferentes grupos populacionais. “A população trans historicamente enfrentou barreiras paraacessar os serviços de saúde de forma segura e livre de discriminação. Iniciativas como esta fortalecem a cidadania”, afirma o gestor.

O atendimento no ambulatório é individualizado ecentrado nas necessidades de cada pessoa. Por isso, não há um prazo fixo de permanência no serviço, sendo o acompanhamento definido de acordo com as demandas e singularidades de cada usuário.

Victor Rezende destaca que os avanços relacionados tanto à qualidade de vida dos usuários quanto ao acesso à assistência já são perceptíveis. Desde a chegada do Sertrans ao HUC, em 2025, quando 208 pacientes estavam em acompanhamento regular, o serviço registrou um crescimento de cerca de quatro vezes nesse público até maio de 2026. “Além disso, a estrutura do hospital possibilita um cuidado mais integrado, com acesso a diferentes especialidades de acordo com as necessidades de cada pessoa”, complementa.

A importância do reconhecimento

O acolhimento oferecido pelo serviço também marcou a trajetória da intérprete de Libras Ticiane Guilherme, de 29 anos. Em julho de 2025, ela iniciou o acompanhamento no Sertrans, onde encontrou um espaço seguro para compartilhar sua história sem constrangimentos. “É um ato revolucionário ter um ambulatório trans no meu estado e saber queposso confiar em profissionais que respeitam a minha identidade de gênero”, reforça.

Foto: Reprodução/Secom Ceará
Foto: Reprodução/Secom Ceará

Aqui posso confiar em profissionais que respeitam a minha identidade de gênero”, afirma Ticiane

Ticiane conta que ter acesso a um atendimento especializado e empático, atento às suas particularidades, foi fundamental para que se sentisse mais segura em dar continuidade ao acompanhamento, sem receio de julgamentos durante as consultas. Além disso, o acesso gratuito à terapia hormonal trouxe reflexos positivos para sua autoestima e para a forma como se relaciona com o próprio corpo.

Foto: Reprodução/Secom Ceará
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Ticiane é atendida pela médica Allana Maria, que também é mulher trans

A memória da primeira consulta segue viva para Ticiane, quando foi atendida pela médica Alanna Maria, que também é uma mulher trans. O encontro trouxe asensibilidadenecessária paracompreender experiências frequentemente atravessadas por exclusões. “A médica se emocionou com nossas histórias de vida. Quando saí da consulta, chorei muito também”, recorda a paciente.

Atendimento especializado e acesso ao serviço

O Sertrans conta com uma equipe multiprofissional formada por profissionais de endocrinologia, clínica médica, psiquiatria, psicologia, serviço social e enfermagem. Os pacientes têm acesso ainda a exames de imagem e laboratorial e, quando necessário, a consultas com outros especialistas no próprio hospital.

O serviço desenvolve ações voltadas à afirmação de gênero, incluindo acompanhamento clínico, hormonização, suporte em saúde mental e preparação para procedimentos cirúrgicos afirmativos, quando desejados.

Além da assistência direta aos usuários, o ambulatório promove ações de educação em saúde voltadas à diversidade de gênero e participa da formação de estudantes e profissionais da área.

Serviço

Serviço Ambulatorial Transdisciplinar para Pessoas Transgênero (Sertrans)
Funcionamento:segunda a sexta-feira, das 8h às 17h
Endereço:Hospital Universitário do Ceará (HUC) – Rua Betel, 2021 – Itaperi, Fortaleza – CE
Acesso:o paciente deve solicitar encaminhamento médico por meio de uma Unidade Básica de Saúde (UBS). Após a solicitação, os usuários são inseridos no sistema de regulação estadual.

Mês do Orgulho LGBTI+

OMês do Orgulhoé celebrado em junho para reafirmar a busca por direitos, respeito e visibilidade da populaçãoLGBTI+. A data homenageia aRevolta de Stonewall, marco histórico de 1969 que impulsionou o movimento civil moderno em todo o mundo. No Brasil, a mobilização anual reforça o compromisso das instituições com a dignidade humana e com a proteção contra todas as formas de preconceito.