
A Polícia Civil do município de Boa Viagem, no interior do Ceará, deverá abrir uma investigação para apurar um possível caso de envenenamento de animais domésticos no bairro Alto da Queiroz. No último fim de semana, ao menos quatro cães foram encontrados mortos na região, gerando revolta e preocupação entre os moradores locais.
Além dos cães, urubus que aparentemente se alimentaram da carne dos animais também foram encontrados mortos nas proximidades, o que reforça a suspeita de envenenamento. O cenário levantou a hipótese de que algum tipo de substância tóxica tenha sido usada intencionalmente para causar a morte dos animais, embora a causa exata ainda dependa de laudos periciais.
Moradores da comunidade relatam que os cães viviam soltos pelas ruas do bairro e eram conhecidos por todos. Alguns deles eram alimentados diariamente por vizinhos e apresentavam comportamento dócil. “Foi uma cena muito triste. A gente convivia com esses cachorros, eles não faziam mal a ninguém”, disse uma moradora que preferiu não se identificar.
A Polícia Civil informou que irá colher depoimentos e analisar imagens de câmeras de segurança da região, caso existam, para tentar identificar os responsáveis. Amostras dos corpos dos animais também poderão ser encaminhadas para análise laboratorial, a fim de confirmar a presença de veneno.
O caso poderá ser enquadrado como crime de maus-tratos a animais, conforme previsto no artigo 32 da Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/1998). O artigo estabelece que “praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos, nativos ou exóticos” pode resultar em pena de detenção de três meses a um ano, além de multa. Se houver agravantes — como a morte do animal — a pena pode ser aumentada.
Organizações de proteção animal e moradores exigem justiça e pedem mais rigor na fiscalização para evitar que casos como esse voltem a ocorrer. A Delegacia Regional de Boa Viagem segue com as diligências e orienta que qualquer informação que possa ajudar na investigação seja repassada anonimamente à polícia.
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