
Os moradores do bairro Palestina, em Canindé, vivem dias de extrema dificuldade por causa da falta de água. O abastecimento foi interrompido há mais de uma semana, e as torneiras permanecem completamente secas. Sem alternativa, muitas famílias têm recorrido à compra de água por meio de carros-pipa para garantir o mínimo necessário para cozinhar, lavar roupas e manter a higiene em casa.
De acordo com relatos da comunidade, o problema começou há cerca de oito dias, e desde então não houve nenhuma regularização consistente no fornecimento. “Estamos pagando caro por carradas de água, porque não temos outra opção. É um absurdo ficar tanto tempo sem abastecimento”, reclamou uma moradora, que preferiu não se identificar.
O valor médio de uma carrada de água chega a R$ 130,00, custo considerado pesado para famílias de baixa renda que vivem na região. Alguns moradores relatam que têm se juntado com vizinhos para dividir a compra e conseguir encher as caixas d’água. Além disso, há quem dependa do auxílio de parentes de outros bairros para conseguir água potável.
A situação tem gerado indignação e preocupação, principalmente com o aumento das temperaturas nos últimos dias. Comunidades vizinhas também relatam instabilidade no fornecimento, o que amplia o temor de um problema mais amplo na rede do município.
Presidente do SAAE explica causa da instabilidade e garante normalização
Em resposta às reclamações, o presidente do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) de Canindé, Maykon Felipe, esclareceu que a interrupção no abastecimento foi provocada por um problema técnico. Segundo ele, houve a quebra de um registro de alta vazão localizado no centro da cidade, o que comprometeu parte do sistema de distribuição e afetou diretamente o abastecimento da Palestina.
“Não houve falha no rodízio, e sim uma dificuldade pontual. O rompimento do registro exigiu que parte do sistema fosse esvaziada para substituição do equipamento. Como a Palestina está em uma das áreas mais altas da cidade, o retorno da água demora um pouco mais”, explicou.
Maykon informou ainda que a manutenção já foi concluída e que o fornecimento começou a ser retomado. “Ontem conseguimos reabastecer o bairro Palestina, e acreditamos que, a partir de agora, o rodízio deve voltar à normalidade. O SAAE está acompanhando de perto o funcionamento do sistema para evitar novos transtornos”, garantiu.
Monitoramento e cobranças da população
Mesmo com o comunicado oficial, muitos moradores afirmam que o abastecimento ainda não foi plenamente restabelecido. Em algumas ruas, a água chega com baixa pressão ou apenas durante a madrugada, o que dificulta o enchimento das caixas.
O SAAE informou que continua monitorando o sistema de distribuição, especialmente em áreas mais elevadas, para garantir a regularização completa do abastecimento. A autarquia reforçou que, caso os moradores continuem enfrentando falta d’água, podem registrar a ocorrência diretamente no órgão para que as equipes técnicas verifiquem a situação.
Enquanto aguardam a normalização, os moradores pedem mais transparência e planejamento na execução do rodízio, além de uma comunicação mais clara sobre eventuais interrupções.
“Queremos apenas ter o direito básico de ter água em casa. Ninguém aguenta mais viver comprando carradas de água toda semana”, desabafou outra moradora.