
O Tribunal do Júri da Comarca de Canindé condenou, nesta quarta-feira (12), Maria Amanda Souza Alves, a 23 anos e seis meses de prisão, em regime fechado, pelo assassinato do policial militar José Edirlane Ferreira, de 34 anos. O crime aconteceu em agosto de 2021, no município de Itatira, no interior do Ceará.
De acordo com o processo, Maria Amanda mantinha um relacionamento amoroso com a vítima e, durante uma discussão, efetuou o disparo que tirou a vida do policial. A ré confessou ter sido a autora do tiro, mas alegou que o disparo ocorreu de forma acidental, em meio a uma briga entre o casal.
Logo após o crime, equipes da Polícia Civil e Militar do Ceará realizaram uma operação conjunta que resultou na prisão em flagrante da suspeita. Na ocasião, os agentes apreenderam duas armas de fogo — uma pistola calibre .380 e uma espingarda — além de diversas munições intactas, que estavam na residência onde ocorreu o homicídio.
No primeiro momento, o caso chegou a ser tratado como suicídio, já que as primeiras evidências encontradas no local indicavam essa possibilidade. No entanto, durante o trabalho da Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce), contradições nos laudos técnicos e inconsistências nas versões apresentadas levaram à reclassificação do caso como homicídio. Com base nas novas provas, a Delegacia Regional de Canindé reabriu as investigações e concluiu que o crime havia sido cometido de forma intencional.
As apurações também apontaram que o policial foi surpreendido e não teve chance de defesa, caracterizando o crime como homicídio duplamente qualificado, por motivo fútil e mediante recurso que impossibilitou a reação da vítima.
Durante o julgamento realizado no Salão do Júri do Fórum de Canindé, o Conselho de Sentença acolheu integralmente a tese apresentada pelo Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE). A acusação sustentou que o crime foi cometido por motivo fútil, decorrente de uma discussão banal, e que a ré agiu de forma premeditada ao utilizar uma das armas de fogo guardadas na residência.
A decisão foi proferida pelo juiz presidente da sessão, que fixou a pena em 23 anos e seis meses de reclusão, a serem cumpridos em regime fechado. Maria Amanda Souza Alves continuará presa, sem direito a recorrer em liberdade.
O caso, que causou grande comoção em Itatira e na região de Canindé, encerra um ciclo de mais de três anos de tramitação judicial, trazendo desfecho ao assassinato de um profissional da segurança pública que atuava há mais de uma década na Polícia Militar do Ceará.