
Quixadá (CE) — No próximo sábado, 10 de janeiro, o município de Quixadá, no Sertão Central cearense, será palco de um dos eventos mais emblemáticos da cultura popular brasileira: o 30º Encontro dos Profetas da Chuva. A tradicional reunião, marcada para acontecer no IFCE – Campus Quixadá, celebra três décadas de valorização de saberes populares que interpretam os sinais da natureza para prever o período chuvoso no semiárido.
Realizado ininterruptamente desde 1996, o encontro foi idealizado pelo Instituto de Pesquisa de Violas e Poesia Cultural Popular do Sertão Central e se consolidou como o maior evento do gênero no Brasil, reunindo profetas da chuva do Ceará, Piauí e Paraíba.
Os chamados “profetas da chuva” utilizam observações da fauna, flora, astro-naturais e outros fenômenos da natureza para elaborar as suas previsões sobre a quadra chuvosa — período que no Ceará costuma ocorrer entre fevereiro e maio e é determinante para a agricultura, abastecimento hídrico e a vida no semiárido.
Esses conhecimentos, transmitidos de geração em geração, têm ganhado reconhecimento não apenas como expressão cultural, mas também como complemento simbólico às projeções da meteorologia científica.
A programação do evento deste ano começa na sexta-feira, 9 de janeiro, com o Festival Encanta Quixadá, que reúne grandes nomes da música tradicional nordestina, com destaque para gêneros como o repente e a viola. Entre os artistas confirmados estão Guilherme Calixto, Jorge Macedo, Zé Vicente, Rubens Ferreira, Valdir de Lima, Jefferson Silva, Aldi Bessa e Chagas Bezerra.
No sábado (10), as atividades oficiais terão início logo pela manhã, com um plantio simbólico de árvore no “Jardim dos Profetas” — uma homenagem à memória de dona Lourdinha (Maria de Lourdes Leite Lemos), considerada a Rainha dos Profetas da Chuva e a primeira mulher a integrar o grupo tradicional.
Logo após, haverá apresentação da Orquestra Sanfônica, seguida de um cortejo solene dos profetas até o auditório onde serão divulgadas as previsões climáticas para 2026.
Durante todo o encontro, o público também poderá visitar uma feira de artesanato e produtos orgânicos, com participação de artesãos e agricultores locais, fortalecendo a economia rural da região.
Além do evento de janeiro, as celebrações pelos 30 anos se estenderão ao longo de 2026, com iniciativas que visam preservar e ampliar a memória do encontro, como:
Inauguração de um monumento em homenagem aos profetas da chuva.
Peça de teatro que ressalta a tradição e a história do evento.
Criação de um mural comemorativo em espaços públicos.
Lançamento de um livro documentando a trajetória do encontro e sua importância cultural.
O Encontro dos Profetas da Chuva é mais do que uma festa ou ritual de fé: ele representa a preservação de saberes ancestrais, o fortalecimento da identidade sertaneja e um elo entre comunidades rurais, cultura e meio ambiente. É um momento onde tradição, ciência e arte se encontram para celebrar a convivência com o semiárido.