
O cenário político envolvendo o deputado federal e ministro Guilherme Boulos ganhou novos capítulos após a divulgação de informações sobre uma possível saída do PSOL para filiação ao PT. A movimentação, ainda não confirmada oficialmente, provocou forte tensão interna na sigla e escancarou divisões entre correntes partidárias.
Segundo relatos divulgados por veículos de imprensa, uma ala dissidente ligada ao movimento Revolução Solidária afirma que Boulos já teria comunicado a aliados sua decisão de deixar o PSOL. De acordo com esse grupo, a mudança de partido teria sido planejada desde o fim de 2025, com articulações políticas em andamento para viabilizar uma nova candidatura eleitoral sob a estrutura do PT.
A carta divulgada pelos dissidentes aponta ainda que a defesa recente de uma federação entre PSOL e PT teria sido, na prática, uma estratégia para justificar a saída do ministro. A proposta de federação acabou rejeitada pelo diretório nacional do PSOL, o que teria agravado o desgaste interno.
Apesar das acusações, Boulos negou publicamente que esteja deixando o partido neste momento. Em nota, classificou as informações como “oportunismo e desespero” de setores internos da legenda, além de afirmar que a carta divulgada é “apócrifa”.
O ministro também ressaltou que as discussões sobre os rumos políticos ainda estão em curso dentro do grupo ao qual pertence, indicando que não há decisão oficial consolidada até agora.
O episódio evidencia um racha dentro do PSOL, especialmente após a aproximação de Boulos com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, onde ele ocupa o cargo de ministro da Secretaria-Geral da Presidência desde 2025.
Setores mais críticos do partido veem essa aproximação como um afastamento das origens do PSOL, enquanto aliados de Boulos defendem uma estratégia de maior integração com o campo político liderado pelo PT.
Caso a migração se confirme futuramente, o movimento pode redesenhar o cenário da esquerda brasileira, especialmente com foco nas eleições de 2026. Boulos é uma das principais lideranças nacionais do PSOL e teve forte desempenho eleitoral recente, o que aumentaria o peso político do PT em disputas futuras.
Por outro lado, uma eventual saída também pode enfraquecer o PSOL e aprofundar divisões internas, afetando a organização do partido nos próximos anos.
Resumo: até o momento, não há confirmação oficial de que Boulos deixará o PSOL. O que existe é uma crise interna, alimentada por acusações de dissidentes e pela crescente aproximação do ministro com o PT — um cenário que segue em aberto e deve evoluir nos próximos meses.